Trabalhador não pode carregar peso em excesso

O artigo 198 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) diz que 60 kg é o peso máximo que um trabalhador pode carregar. Sim, é um número absurdo. Tem trabalhador que tem o próprio peso próximo disso.

Para se ter uma ideia, a coluna vertebral é constituída por vértebras e pelos discos intervertebrais, que têm a função de amortecer os impactos e facilitar os movimentos da coluna, possibilitando sua flexibilidade. Mas se os esforços forem elevados, o corpo não aguenta e podem surgir doenças como escoliose ou lordose.

“Se o trabalhador estiver exposto a situações que coloquem sua saúde e sua integridade física em perigo, o sindicato deve ser informado para que possa intervir. As denúncias podem ser feitas anonimamente, e a entidade se compromete a proteger todos os direitos dos trabalhadores envolvidos. A categoria pode contar com o STIP no combate a condições de trabalho inapropriadas”, afirma o presidente da entidade, Gilmar Servidoni.

Para piorar, nossa capacidade de carregar peso é bem reduzida. Isso porque os sistemas de alavancas do corpo humano, aqueles que envolvem a articulação e a força muscular, não foram criados para esforços elevados.

No caso das mulheres, a lei determina um limite inferior (20 kg para esforços contínuos e 25 kg para esforços intermitentes) porque a legislação leva em conta sua menor massa muscular. E mesmo sendo um valor inferior, é importante sempre observar as condições físicas para avaliar se não é uma quantidade de peso prejudicial à saúde.

Em muitos países desenvolvidos, o limite é de 25 kg para o transporte manual para homens. Aqui no Brasil temos uma lei atrasadíssima – feita há mais de 100 anos. É preciso mudar esse quadro.

O que fazer? Há uma proposta tramitando para diminuir o peso máximo de 60 kg para 30 kg. É o Projeto de Lei (PL) 5.746/2005, que já foi aprovado no Senado e agora está na Câmara dos Deputados. É importante ficar de olho nesse projeto e pressionar para que ele seja aprovado.

Com tantos recursos tecnológicos, acabaram as desculpas para transformar o trabalhador em burro de carga. Acabaram até as desculpas para transformar o burro num animal de carga. Além de diminuir o peso limite para o transporte manual, e, claro, respeitar as condições físicas particulares de cada um, deve-se investir em equipamentos que poupem o trabalhador de tamanho desgaste.

Fonte: STIP