Sem os sindicatos, direitos trabalhistas não sairiam do papel

Com frequência, o sindicalismo é alvo de várias campanhas difamatórias. A luta das entidades em defesa das categorias que elas representam provoca uma reação do empresariado, que tenta deslegitimar a organização da classe trabalhadora.

Infelizmente, a desinformação sobre a importância dos sindicatos abre brechas para a retirada de direitos, como se viu com a aprovação da Reforma Trabalhista.

As investidas contra os sindicatos não são exclusivas do Brasil. Um estudo publicado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostrou que 110 países passaram por mudanças na legislação trabalhista entre 2008 e 2014. A pesquisa revelou que a maioria das reformas afetou o poder de atuação dos sindicatos.

Como são espaços de resistência, parte dos patrões o estímulo ao preconceito contra os sindicatos. No entanto, mesmo com as campanhas de difamação, aproximadamente 20% dos brasileiros que compõem a população economicamente ativa são filiados a alguma entidade.

Atuação

Com o passar dos anos, os sindicatos se transformaram em peças importantes para a história do Brasil. As mobilizações das categorias e a atuação direta das entidades nas negociações com os patrões conquistaram importantes direitos para o trabalhador brasileiro.

Dados do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) mostram que, nos últimos 10 anos, o Brasil registrou 56 mil convenções e 308 mil acordos coletivos de trabalho.

Além disso, sabe-se que, no Brasil, somente a aprovação de um direito trabalhista não garante que ele vai sair do papel. É a fiscalização permanente e a pressão exercida pelos sindicatos que fazem com que as promessas se cumpram.

“Há um discurso contra os sindicatos e, ao mesmo tempo, um esforço muito grande para beneficiar os patrões. Isso ameaça os direitos dos trabalhadores e por isso o papel dos sindicatos é tão importante. Somos nós, do STIP, e de tantas outras entidades, que lutamos para que esses direitos sejam mantidos e que outros direitos sejam reconhecidos para melhor a vida do trabalhador. Somos incansáveis porque essa luta é nossa vida”, explica o presidente do STIP, Gilmar Servidoni.

Lutas históricas

Por conta da atuação em prol dos trabalhadores, governos autoritários do século 20 – quase sempre ligados aos interesses empresariais – reprimiram violentamente a mobilização dos trabalhadores. Apesar disso, as entidades tiveram um papel fundamental na redemocratização do Brasil na década de 1980, processo que resgatou a possibilidade de participação dos brasileiros na vida política e garantiu uma série de direitos trabalhistas.

Fonte: STIP