Péssimas condições de trabalho geram onda de doenças mentais no Brasil

Você lembra daquele ditado popular segundo o qual o trabalho dignifica o homem? Bom, talvez esteja na hora de revê-lo.

Isso porque as péssimas condições de trabalho estão produzindo uma verdadeira epidemia de doenças mentais ligadas à rotina do trabalhador.

De acordo com 1º Boletim Quadrimestral sobre Benefícios por Incapacidade, publicado pela Secretaria da Previdência em 2017, os transtornos mentais são a terceira causa de incapacidade para o trabalho no Brasil.

Ou seja, esses empregos precários, ao invés de darem dignidade ao trabalhador, fazem justamente o contrário: promovem o seu adoecimento.

Com a multiplicação de postos de trabalho precários e o crescimento incontrolável da informalidade, a tendência é que o número de brasileiros vítimas de doenças mentais seja cada vez maior.

Tanto que, de acordo com a previsão da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), de 20% a 25% da população já teve, tem ou terá depressão.

Entre os transtornos mentais que o trabalho provoca nos trabalhadores estão o estresse crônico, a ansiedade, os transtornos bipolares, a depressão e a síndrome de Burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional.

Segundo especialistas em saúde do trabalhador, diversos fatores contribuem para o desenvolvimento de doenças mentais ligadas ao trabalho.

O assédio moral e sexual, as jornadas quase intermináveis, as metas abusivas, a perseguição e outras práticas cada vez mais comuns estão acabando com a saúde mental dos brasileiros.

O presidente do STIP, Gilmar Servidoni, lembra que os patrões devem oferecer um ambiente de trabalho digno, mas que isso só se tornará realidade com a mobilização dos trabalhadores.

“Se o patrão tiver que optar entre aumentar o lucro e a saúde dos empregados, muitas vezes ele ficará com o lucro. Como vimos, essa escolha cruel está custando a saúde de milhões de pessoas. Por isso, a nossa mobilização por direitos e por melhores condições de trabalho precisa ser constante”, afirma.

Fonte: STIP