Lucro acima da saúde: LER e distúrbios osteomusculares atingem trabalhadores

Não é novidade para ninguém que o ritmo de produção na indústria não é pensado para respeitar os limites do corpo humano. Com foco na produtividade e no lucro, a rotina nesses ambientes de trabalho gera uma série de consequências para a saúde dos trabalhadores.

Os números do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apontam a urgência de iniciativas voltadas à melhoria das condições de trabalho.

Em 2017, as lesões por esforço repetitivo e os distúrbios osteomusculares (LER/DORT) foram responsáveis pelo afastamento de mais de 22 mil trabalhadores por mais de 15 dias.

 O número representa mais de 11% de todos os benefícios concedidos pelo órgão naquele ano.

A LER é provocada pelo excesso de movimentos mecânicos e repetitivos que, com o passar do tempo, afeta os tendões, nervos, músculos, ligamentos, articulações e outras estruturas.

Já o termo DORT, que designa os distúrbios osteomusculares, engloba também os danos causados por excesso de força e por posturas inadequadas, por exemplo.

Todos os trabalhadores podem desenvolver LER e DORT ao longo dos anos, mas algumas categorias estão mais expostas a esse risco.

Os trabalhadores da indústria estão nessa lista, já que eles realizam tarefas repetitivas e contínuas, que exigem o uso força – como o levantamento de sacos de farinha, por exemplo – e, em outras ocasiões, a elevação dos braços acima da linha dos ombros.

É para amenizar os impactos negativos dessas tarefas que existe a Norma Regulamentadora (NR) 17, responsável por determinar as regras relativas à ergonomia no ambiente de trabalho.

A norma prevê uma série de adequações estruturais obrigatórias para preservar a saúde do trabalhador.

O presidente do STIP, Gilmar Servidoni, alerta que, apesar da existência das regras, elas nem sempre são respeitadas pelos patrões. “Muitas empresas simplesmente ignoram as determinações da NR 17 e expõem os empregados a uma série de riscos. Essa realidade aponta que, para muitos empresários, o lucro está sempre acima da saúde dos trabalhadores”, critica.

Fonte: STIP