Empregador é responsável pela ergonomia no ambiente de trabalho

Levantar e locomover sacos de farinha, lidar com altas temperaturas, curvar-se para acessar o forno… Essas são apenas algumas características da atividade dos trabalhadores da panificação que precisam de atenção, já que, a médio e longo prazos, podem causar danos à saúde. Mas nem todos os cuidados devem vir do empregado: os patrões também têm suas responsabilidades com a saúde e a integridade dos trabalhadores.

A Norma Regulamentadora (NR) 17, do Ministério do Trabalho, lista uma série de regras que o empregador deve obedecer com o objetivo de garantir um ambiente de trabalho seguro e confortável. Trata-se da ergonomia, um conjunto de medidas necessárias para amenizar os danos do trabalho à saúde do trabalhador.

Em relação ao manuseio de cargas, por exemplo, a NR 17 proíbe o levantamento de pesos que prejudiquem claramente a saúde física do trabalhador. Nesse caso, a empresa deve pensar em técnicas e instrumentos para facilitar a tarefa. Além disso, o empregador é obrigado a oferecer treinamento quanto aos métodos de trabalho. Esse ponto é fundamental para prevenir acidentes e preservar a integridade dos empregados.

Quando a atividade só pode ser feita em pé, como é o caso de muitos trabalhadores da panificação, alguns cuidados são essenciais. A altura da superfície de trabalho precisa ser apropriada à atividade desempenhada, os utensílios devem estar acessíveis ao trabalhador e a disposição das superfícies e do maquinário não deve forçar os trabalhadores a movimentos irregulares. Esses cuidados são centrais para a prevenção de doenças ocupacionais como a lombalgia (dor permanente nas costas), a Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT).

Além disso, o trabalhador da panificação geralmente está exposto a altas temperaturas. A utilização dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) como luvas e roupas específicas é uma regra nesses casos. O patrão é obrigado a fornecer e substituir os EPIs sempre que for necessário, de acordo com a NR 6.

Para o presidente do STIP, Gilmar Servidoni, a preocupação com a integridade do trabalhador deve ser a prioridade dos patrões. “Alguns ramos, como o da panificação, oferecem muitos riscos à saúde dos trabalhadores. É preciso estar atento a essas irregularidades. Os patrões são obrigados a garantir um ambiente seguro e qualquer descaso deve ser comunicado ao sindicato”, orienta.

Fonte: STIP