As consequências psicológicas do desemprego e das condições de trabalho

Reconhecida como mal do século, a depressão vem afetando cada vez mais os brasileiros. Grande parte das abordagens sobre a doença, no entanto, se limita a aspectos individuais, ignorando os fatores sociais que geram sofrimento. O desamparo, a falta de perspectiva e a privação, por exemplo, são elementos fundamentais para compreender as grandes taxas de pessoas adoecidas.

Dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) revelam que o número de consultas psiquiátricas cobertas pelos planos de saúde saltou de 2,9 milhões em 2012 para 4,5 milhões em 2017, um aumento de 1,6 milhão.

Para diversos especialistas da área da saúde, a crise econômica, o desemprego e o individualismo do mercado de trabalho têm contribuído para esse crescimento. Para eles, a falta de perspectivas de futuro e a ausência de retorno pelo trabalho estão afetando a saúde mental dos brasileiros.

Os problemas psicológicos, no entanto, atingem também as pessoas que têm emprego. Para enxugar gastos, as empresas estão contratando cada vez menos, cenário que gera mais pressão por produtividade e desempenho. Muitas vezes, as exigências são inalcançáveis e o trabalhador acaba adoecendo.

Os dados mais recentes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) revelam que 75 mil trabalhadores se afastaram por depressão em 2016. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que, até 2020, ela será a doença mais incapacitante do mundo.

Para o presidente do STIP, Gilmar Servidoni, a saúde mental deve ser uma preocupação para as empresas. “Os trabalhadores passam a maior parte do dia se dedicando ao emprego. Se o ambiente de trabalho for marcado pela pressão, pelo assédio e por metas inatingíveis, é certo que a pessoa vai adoecer. A categoria não pode pagar com a saúde pela ganância dos patrões”, afirma.

Fonte: STIP